Saturday, November 17, 2018

Quando chove na minha rua
Ela chora
Com a lembrança
No ar
Na calçada
Nas janelas dos prédios
Que o amor é aquilo que sinto
E que dou
Sem nunca o receber.

São as flores selvagens que brotam
Desordenada e espontaneamente
Do meu peito aberto
Sem serem cuidadas
Nem colhidas
Até se tornarem matagal
De espinhos e ramos
Que tudo consome
Apenas regado pela chuva
Que cai na minha rua

A luz do candeeiros
Afunda-se em tempestades de afecto
De beijos que sobem à flor dos lábios
Sem nunca terem sido dados
E apagam-se do sufoco

De não ter.

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