Quando chove na minha rua
Ela chora
Com a lembrança
No ar
Na calçada
Nas janelas dos prédios
Que o amor é aquilo que sinto
E que dou
Sem nunca o receber.
São as flores selvagens que brotam
Desordenada e espontaneamente
Do meu peito aberto
Sem serem cuidadas
Nem colhidas
Até se tornarem matagal
De espinhos e ramos
Que tudo consome
Apenas regado pela chuva
Que cai na minha rua
A luz do candeeiros
Afunda-se em tempestades de afecto
De beijos que sobem à flor dos lábios
Sem nunca terem sido dados
E apagam-se do sufoco
De não ter.